27 de março de 2011


AUSÊNCIA DE LIMITES





Freqüentemente vemos na mídia impressa e televisiva, atos de abuso cometidos por adolescentes a colegas de classe e professores, dentro das instituições escolares. E nas discussões surgidas desses acontecimentos, fala-se repetidamente em falta de limites. Mas, quem ensinou as crianças e adolescentes a compreenderem o que são regras, limites, e ainda, para que servem? Verifica-se que os educadores defendem-se com o conhecido discurso sobre a falta empenho familiar, e por outro lado, a família, coloca a falta de tempo e horários prolongados de trabalho como escudo para justificar a sua omissão.





Assim como relata PEREIRA (2007):





A crise econômica obrigou famílias a repensarem e reformularem suas estratégias de vida, sobretudo no que concerne à obtenção dos rendimentos, tendo em vista fugir o máximo possível do impacto da recessão, do desemprego e da perda do seu poder aquisitivo.



Contudo, os atos de vandalismo, desrespeito as regras das instituições familiares e escolares são evidentes, e merecem atenção e estudo por parte dos educadores. Vê-se que existe uma constante busca para impor as regras da sociedade a crianças e adolescentes na contemporaneidade. E para tanto, pais e educadores utilizam-se de instrumentos característicos para impor normas e princípios.

A criança ou adolescente sem limites, geralmente é fruto de uma vida sem obrigações e responsabilidades. A família, muitas vezes utiliza-se do poder aquisitivo, para presentear os filhos, de forma a convencê-los a colaborar com as tarefas domésticas ou esforçar-se nos estudos. Essas atitudes, muitas vezes, é o modo que os pais encontram para justificar o tempo que permaneceu ausente, como bem retrata SAMPAIO (2010): O que acontece é que muitos pais tentam compensar a ausência enchendo a criança de brinquedos para que ela não cobre sua presença constante. Na verdade são os pais que se sentem bem achando que esta atitude preencherá o vazio. Serve como uma válvula de escape.

Medidas como essas, são comuns na sociedade atual, principalmente, nas relações onde ocorrem divórcios, e as mães unem-se com novos cônjuges, para ter outros filhos. A frustração do período de separação, seja ela momentânea ou definitiva, acaba fazendo com que os as famílias adotem medidas paliativas para tratar os traumas vivenciados. Por sua vez, a criança ou adolescente, aceitam as situações que as favorecem momentaneamente, mas como seus desejos internos e profundos não são satisfeitos, acabam apresentando atitudes desafiadoras para com os pais e educadores. ZAGURY (1996, p.31) apud FLORÊNCIO, BARRETO E SABRINA, nos diz que (2009): Sentir limites é para criança uma questão de segurança – uma necessidade básica. Não estabelecer limites é uma opção que um pai pode fazer. Mas é importante que, se o dizer, o faça sabendo que, ao contrário do que possa parecer, é também através dos limites que a criança percebe que alguém se preocupa com ela e a protege. O limite faz com que ela perceba também que esse alguém é um alguém forte, que sabe e tem segurança do que faz. (p.11)

E como a criança e o adolescente passam grande parte de seu tempo dentro das instituições escolares, nada mais natural, que eles manifestem as suas angústias no cotidiano escolar. Porém, nota-se que a comunidade docente, vem agindo como a família que não impõe limite aos seus filhos. Pois hora é complacente com as más atitudes dos alunos e hora é rígida em demasia, utilizando-se do poder da atribuição de nota, para coagir ou beneficiar os que agem conforme o exigido.

É preciso entender, que a criança ou o adolescente que infringi regras e não respeita os limites colocados dentro da escola, apresenta sinais de carência, tanto da família quanto da instituição educativa. As mudanças nas relações sociais e nas relações do mercado de trabalho e da família ganharam novos contornos e conseqüentemente, novos desafios educativos surgem para pais, educadores e responsáveis.

O educando manifesta na convivência escolar os problemas emocionais não resolvidos, e acabam envolvendo-se em brigas, discussões e desrespeito aos professores e funcionários da escola. Assim, com a falta de acompanhamento dos pais e o não envolvimento dos educadores, o indivíduo adquire a independência de forma prematura, sem orientação, e para serem aceitos em grupos, se submetem aos atos de vandalismo, porque muitas vezes, ele não foi repreendido nos primeiros anos, quando as primeiras arestas manifestaram-se. Nesta perspectiva, PEREIRA (2008) nos diz que: Por isso é fundamental que os pais comecem a impor limites e regras desde os primeiros anos de vida, para que a criança aprenda que tudo tem seu horário, que não se deve realizar as atividades quando tem vontade e sim quando pode. É preciso aprender a respeitar a autoridade dos pais, para que mesmo sozinhas, obedeçam às regras e façam as tarefas que foram solicitadas pelos adultos. É fundamental que uma criança cresça em um ambiente cheio de harmonia, paz e carinho, onde haja cooperação, solidariedade e principalmente diálogo, para que assim cada membro compreenda as opiniões do outro e aprenda a respeitá-las.

O comprometimento com educação do indivíduo é uma discussão contínua, onde a eterna dúvida é: até onde deve ir à obrigatoriedade da educação familiar e até onde deve ir à obrigatoriedade da educação escolar. E há uma linha tênue que divide as responsabilidades educativas dessas duas instituições. É preciso lembrar que a escola é o lugar que por excelência deve dedicar-se integralmente ao processo de aprendizagem de seus freqüentadores, e para tanto, deve estar em constante estudo, revendo valores, metodologias, e principalmente, que tipo de ser humano pretende-se formar, e para que tipo de sociedade.

Deste modo, precisamos compreender que a escola é reflexo da sociedade, e vice-versa, portanto é preciso que haja um acordo entre família e escola, para que a escola não transforme o lar em uma extensão da escola, e a família, transforme a escola em reunião familiar, ou consultórios médicos. É preciso que trabalhemos juntos, sem coagir os pais, mas convencendo-os como colaboradores, co-autores de todo o processo sem comprometer a autoridade educativa dos educadores e banalizar a profissão.

E quando conseguirmos formar uma sociedade participativa e crítica, chegará o tempo que não precisaremos mais discutir o que é responsabilidade da escola ou da família, porque todos se sentirão partes integrantes do processo escolar. Para tanto, é preciso que estejamos abertos a assumir a nossa parcela de responsabilidade, já que os compromissos educativos fazem parte destas duas instituições: família e escola.





REFERÊNCIAS

Pereira, Luciana Maria de Souza. Relações Conflituosas no Ambiente Familiar: um desafio para a escola na formação da criança. Trabalhos acadêmicos, Campo Grande, v. 1, n. 7, 2008. Disponível em: [http://www.ufu.br]. Acesso em: 17 Maio. 2010.

FLORÊNCIO, Fabíola Ferreira. BARRETO, Priscila Ane Dantas. Cavicchia. Hiperatividade ou Falta de Limites?, Artigo, Campo Grande, v.1, n.14, 2009. Disponível em: [www.psicopedagogia.com.br]. Acesso em : 17 Maio. 2010.

SAMPAIO, Simaia. Aprendendo a dar Limites. Artigos Simaia Sampaio, Campo Grande, v.1, n.13, 2010. Disponível em: [www.psicopedagogiabrasil.com.br/artigos_simaia]. Acesso em : 17 Maio. 2010.

Publicado em 07/10/2010





Currículo(s) do(s) autor(es)

Carla Elias da Silva Pereira - (clique no nome para enviar um e-mail ao autor) - Graduada em Pedagogia com habilitação em Supervisão Escolar pelo IESF – FUNLEC, Campo Grande/MS
Neurologia e Pedagogia: uma parceria possível e desejável

Neurologia e Pedagogia: uma parceria possível e desejável





Com freqüência, ouve-se de profissionais da área da educação que o empenho em se fazer um diagnóstico médico não se traduz, em geral, em vantagens práticas significativas. Nem para o educando nem para o educador. Ouve-se, também, que rotular crianças não tem nenhuma outra função além de estigmatizar aquela criança e de fazer dela uma "síndrome" e não mais um aluno. Essa idéia tem tanta aceitação entre alguns profissionais que determinados procedimentos, como por exemplo, testes psicométricos, são evitados para que tais rótulos não possam ser aplicados. Outros profissionais evitam diagnósticos claros, como deficiência mental, autismo infantil ou epilepsia, por julgarem que esses termos somente trarão mais problemas aos pacientes e seus familiares.

De certo modo, seria como se o diagnóstico médico de alguém com qualquer tipo de prejuízo tivesse apenas uma importância - a relação com o aprendizado - mas sem trazer benefícios ao paciente, objeto do estudo, nem aos profissionais da área da educação envolvidos com o paciente.

Uma primeira questão seria saber se o neurologista tem instrumentos que lhe permitem definir melhor o prejuízo presente e apontar, eventualmente, caminhos a serem seguidos no processo de habilitação.

A resposta a esta questão é, evidentemente, SIM. O neurologista, na verdade hoje um neurocientista, tem a possibilidade, através do exame clínico e dos recursos propedêuticos existentes e disponíveis entre nós, de identificar inúmeras condições que podem cursar com prejuízos na área da educação. Não somente estas condições podem e devem ser identificadas como, em boa parte dos casos estudados, consegue-se definir a etiologia do quadro e o perfil das dificuldades presente. A identificação dos prejuízos presentes e do perfil de funcionamento neuropsicológico possibilitarão à equipe encarregada do caso traçar um programa de intervenção que represente a forma mais rápida, barata e eficaz de atualizar o potencial presente no paciente.

A determinação de um perfil neuropsicológico permite que possamos conhecer não apenas os canais mais incompetentes, mas, e mais importante, quais os canais mais competentes, através dos quais deveremos enfatizar os esforços terapêuticos. Atualmente, há um consenso no sentido de que muito mais útil do que insistir na tentativa de normalizar ou atualizar a incompetência dos indivíduos é tentar investir nas suas habilidades.

A identificação do diagnóstico funcional e sindrômico pode auxiliar, também, a reconhecer condições neurológicas progressivas que podem manifestar-se, inicialmente, de modo muito sutil, por vezes através de um distúrbio do comportamento e/ou da aprendizagem escolar. A identificação de uma patologia progressiva, freqüentemente letal e geneticamente determinada, é evidentemente desejável e o mais precocemente possível.

O aluno portador de necessidades especiais é um indivíduo que, por força de sinais e sintomas variados, recebe com freqüência algum tipo de medicação psicoativa. A participação do neurologista na equipe possibilitará que efeitos colaterais destes medicamentos possam ser identificados e que suas ações sobre o sistema nervoso possam ser discutidas, uma vez que poderão determinar ou maximizar alguns problemas de aprendizagem. Uma determinada criança pode vir a ter prejuízos mais ou menos sérios no que se refere à aprendizagem escolar não em função de uma determinada patologia que apresente (epilepsia, por exemplo), mas sim em razão dos efeitos colaterais que os medicamentos utilizados (como os anticonvulsivantes) podem determinar. Evidentemente que neste aspecto, mais uma vez, a colaboração entre o neurologista e o educador será de extrema utilidade par que uma ação terapêutica possa ser traçada.

Por outro lado, compete ao neurologista a prescrição de psicofármacos que poderão, em certas circunstâncias, ser extremamente benéficos aos alunos, melhorando, inclusive, a aprendizagem e/ou minimizando problemas comportamentais presentes e que podem interferir muito com a atividade escolar de alguns deles. A parceria com o educador permitirá que eventuais melhoras, bem como possíveis pioras, possam ser identificadas nas salas de aula e discutidas com o médico.

A compreensão, na maior profundidade possível, do quadro clínico do nosso aluno especial será de extrema valia na discussão de que tipo de escolaridade deverá se indicada. Nesta época, em que se discute com muita ênfase a inclusão do aluno especial nas escolas normais, uma compreensão exata do grau de comprometimento do aluno, bem como uma idéia realista a respeito de seu potencial educacional, poderá nortear os técnicos no sentido de optarem por um ambiente escolar normal ou um especial/protegido.

Muito embora estejamos de acordo, em tese, no sentido de que seria desejável que todos os alunos estivessem incluídos e adaptados à escola normal, sabemos perfeitamente que certos tipos de prejuízos impedirão que esta inclusão se faça com vantagens para o aluno. A inclusão dependerá não apenas dos limites impostos pela condição de base, mas também das facilidades existentes na comunidade à qual o aluno pertence.

O objetivo do estudo das neurociências é, em última análise, o conhecimento da função do sistema nervoso tanto no indivíduo sadio quanto naquele que apresenta algum desvio. Este conhecimento pode e deve reverter em benefício dos portadores de necessidades especiais na forma de procedimentos e métodos educacionais e terapêuticos idealizados a partir do conhecimento da função neural na saúde e na patologia.





Jose Salomao

*Médico neuropediatra, Doutor em Neurologia Clínica pela Escola Paulista de Medicina, Professor do Curso de Pós-Graduação da Universidade Mackenzie.

Postado por Pri às Sábado, Fevereiro 26, 2011 0 comentários

Marcadores: Neurociência

26 de março de 2011



Necessidades
Atuais na Educaçã0



Educar é viver um processo que se inicia no nascimento,  ou como afirma Hannah Arent: "a educação de uma criança começa vinte anos antes de ela nascer", e permanece durante toda a vida, um processo pelo qual somos agentes e pacientes. É um processo de transformação, de crescimento, onde sofremos as mudanças de usos e costumes da
nossa sociedade. Educar é essencialmente um ato de amor.
O momento de aprender  não é determinado por nós, mas é durante o amadurecimento que a criança desperta
para o aprendizado, a nós cabe exercitá-las para que, ao amadurecer, desenvolvam
o auto-conhecimento, posteriormente a reflexão e consequentemente a
autonomia. É necessário uma reformulação das metodologias e técnicas de ensino, pois hoje os valores mudaram e as transformações sociais se refletem nas famílias que cada vez mais têm menos
tempo de qualidade com seus filhos e muitas vezes repassam à educação institucional, além da educação intelectual, a incumbência da educação moral e
psicológica de seus filhos.
Os limites , que delimitam os direitos e deveres da criança, não são ensinados - ou são mal ensinados. O que devemos entender é que limite em excesso inibe a independência e traz insegurança para a criança, mas a ausência de limites também torna o
indivíduo inseguro e desestruturado. O limite - não repressivo, orienta, pois é um ato de amor. A existência dos "nãos" e do "por quê" existentes na família e
na escola dão segurança para o indivíduo em sua caminhada.
Exercendo conscientemente sua autoridade (não o autoritarismo) em sala de aula o professor
deixa claro os ideais e caminhos a serem seguidos pelos alunos. Quando há uma
interação entre professor/aluno, o aluno se torna participativo e o professor
realizado no seu ensinar.
O melhor tipo de
professor é o que , apesar das circunstâncias, jamais deixa de ser profissional
, mas antes entende os problemas e necessidades do aluno e aplica uma
metodologia adequada às necessidades para que seu aluno tenha uma aprendizagem
satisfatória e significativa. “Estar preocupado com o aluno, procurar levá-lo ao
melhor desempenho, reflete a competência do professor”, diz GAVALDON.
As crianças precisam
ser estimuladas, trabalhadas para iniciarem a sistematização da leitura e da
escrita.Portanto precisamos tomar providências para que a alfabetização seja
continuada nas primeiras séries iniciais (1º e 2º ano), pois só assim teremos um
menor índice de alunos analfabetos prosseguindo seus estudos , ou pior ainda,
saindo “formados” das escolas.
Alguns alunos aprenderão com
mais facilidade, pois com ou sem experiência escolar, possuem mais de um esquema
mental pronto para a aprendizagem, é um nível mental necessário para a
alfabetização, que é, segundo as descobertas de Emília Ferreiro, o aluno estar
alfabético. Outros alunos estão nos estágios silábico e silábico-alfabético. Há
ainda um terceiro grupo de alunos que estão no estágio pré-silábico. Como
educadores devemos proporcionar reais condições de aprendizagem a todos esses
grupos, com atividades dirigidas especificamente às suas necessidades,
colaborando para o avanço de sua aprendizagem e não apenas mantê-los ocupados em
sala de aula.
Rubem Alves diz que,
"um exercício fascinante a se fazer com as crianças seria
provocá-las para que elas imaginassem o nascimento dos vários objetos que
existem numa casa. Todos os objetos, os mas humildes, têm sua história para
contar.[...] Quem é capaz de, na fantasia, reconstruir a história da invenção
desses objetos fica mais inteligente."
Dar aulas não é o mesmo que Ensinar. Dar aulas é
passar o conteúdo programado, enquanto que ensinar é fazer-se entender, levar o
outro a "tomar posse", a se apropriar de um conhecimento pleno. É o saber o
porquê do aprender, é aprender o saber e saber onde aplicá-lo, como afirma
GAVALDON (1997).
Algumas dificuldades no ensino aprendizagem são
causadas pelo uso de metodologia sem didática por professores que não dispõem de material concreto, tornando as aulas monótonas e cansativas.
Para favorecer sua didática o professor precisa:
- dominar o conteúdo a ser passado para os alunos - a didática precisa ser fundamentada teoricamente;
- desenvolver habilidade de comunicação - deve haver uma atualização frequente através da troca de experiências.
Os inimigos do educador são:
                                        Rotina

+

Acomodação
É necessário refletir, reavaliar o currículo escolar para atender as necessidades atuais na educação. Nessa reflexão é fundamental que o professor também reavalie sua postura, pois o educador precisa de um novo olhar para dentro, sobre sua prática pedagógica, para que através da percepção de seus conhecimentos possa então projetar um novo olhar para fora, se apropriando do que pode ser desnudado, projetado em sua prática de ensino. É assim, exercitando seus olhares, que o educador levará seu aluno (Real) a se apropriar do conhecimento e tornar-se o sujeito do próprio aprendizado.

REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA

ALVES, Rubem. A alegria de ensinar. Campinas :
Papirus, 2000. 93 p.

GAVALDON, Luiza Laforgia. Desnudando a escola: ensino
aprendizagem interação disciplina avaliação e muito mais. São Paulo : Pioneira,
1997. 84 p.
Leia mais: http://educacaoatravesdaarte.blogspot.com/search?updated-max=2010-07-17T11%3A15%3A00-07%3A00&max-results=7#ixzz1HlcmI100

RESENHA



LIVRO:  
MOVIMENTOS SOCIAIS E EDUCAÇÃO

AUTORA: MARIA DA GLORIA GOHN

EDITORA: CORTEZ,

ANO: 1999




Maria da Glória GOHN
é doutora
em Ciência Política pela USP, pós-doutora e mestre em
Sociologia, atua como pesquisadora da UNICAMP e pesquisadora nível I do CNPq,
também é autora de vários livros sobre Movimentos Sociais, dentre eles:
Movimentos Sociais e Redes de Mobilizações no Brasil
Contemporâneo (2010
); Movimentos sociais no início do
século XXI. Antigos e novos atores sociais
(2003) e
História dos movimentos e lutas sociais
(2001)



Em seu livro “Movimentos Sociais e Educação” a autora
oferece, com riqueza histórica, importantes informações sobre os movimentos
sociais que influenciaram a questão

educacional. A cada período de crise econômica houve uma reformulação da
educação, o que no início do capitalismo levou os pensadores e sociólogos como
Durkheim a buscarem respostas para compreender o desenvolvimento social e seus
problemas. No decorrer da história, o que era luta por subsistência passou a ser
luta por cidadania. Essas lutas levaram governantes e  representantes da
sociedade a criar propostas e reformas
educacionais.



Segundo GOHN foi a partir de movimentos populares e de
outras tendências sociais que transformações ocorreram na luta por melhorias na
educação brasileira. Representantes populares também se engajaram na luta por
melhorias urbanas através de movimentos populares, movimentos esses que tiveram
caráter educativo na medida em que levavam seus participantes ao conhecimento
histórico e à conscientização política, permitindo assim clareza no objetivo do
movimento, afirma a autora. Entretanto com o envolvimento de grupos intelectuais
na acessória dos movimentos populares perdeu-se o caráter educativo que tornava
o saber do povo politizado, gerando o aprendizado e a reflexão sobre si e seu
papel na sociedade através da prática dos movimentos populares.



GOHN cita autores como Florestan Fernandes, Gilberto
Freire, Caio Prado, dentre tantos outros que tratavam da identidade nacional e
do desenvolvimento social e educacional através de seus textos, além de autores
internacionais como Paul Singer, R. Aron, Satre e muitos outros que contribuíram
para a produção das ciências sociais no Brasil durante o período dos programas
sobre educação popular na América Latina. “A educação era um instrumento
apresentado como uma técnica, mas que na verdade tinha características
políticas” (p. 46)  ressalta a autora.



Ao aponta como fruto da ideologia política focada com
maior interesse na mudança econômica que em mudanças sociais, a diminuição da
educação popular e um aumento na publicação sobre movimentos sociais. E é ao
revelar a considerável perda de autonomia desses movimentos, já que a maioria de
seus representantes estavam ligados a partidos políticos ou dependentes de apoio
religioso, que GOHN identifica a crise nos movimentos populares à partir da
década de 1990. E a crítica da autora vai além, pois as ONGs que surgiram para
assessorar os movimentos populares reproduzem a linguagem político-partidária,
tomando o lugar da função pedagógica que havia no caráter educativo desses
movimentos.

           

Ao finalizar GOHN afirma que não é na assistência
paternalista da sociedade (referindo-se à política neoliberal dos anos 80)  e
sim na mudança no papel omisso das universidades que se encontram as soluções
pontuais imediatas para os problemas educacionais brasileiro,  através da
pesquisa-investigação, da geração de novos métodos e tecnologias em busca de
soluções para esses problemas  . GONH ainda diz que é chegada a hora dos
movimentos e da educação popular se reconciliarem, pois “é preciso consciência
da sociedade, ainda que a nível de senso comum, para que as normas e leis sejam
respeitadas e cumpridas” (p.68).





Resenha escrita por Nilc Rodrigues de Assis, Pedagoga em
formação
.



REFERÊNCIA
BIBLIOGRÁFICA



ALVES, Rubem. A escola com que sempre sonhei : sem
imaginar que pudesse existir.
6 ed. (2003). Campinas : Papirus, 2001. 120
p.

GAVALDON, Luiza
Laforgia. Desnudando a escola: ensino
aprendizagem interação disciplina avaliação e muito mais
. São Paulo :
Pioneira, 1997. 84 p.

GOHN, Maria da
Gloria. Movimentos sociais e
educação
. 3 ed. São Paulo : Cortez, 1999. 117 p.

MEKSENAS, Paulo.
Sociologia da educação: uma introdução
ao estudo da escola no processo de transformação social
. São Paulo : Loyola,
2005. 144 p.


Leia mais: http://educacaoatravesdaarte.blogspot.com/#ixzz1Hlc72wiS
ALFABETIZANDO: A IMPORTÂNCIA DAS
ATIVIDADES LÚDICAS NA EDUCAÇÃO INFANTIL





Estudos e pesquisas têm comprovado a importância das
atividades lúdicas, no desenvolvimento das potencialidades humanas das crianças,
proporcionando condições adequadas ao seu desenvolvimento físico, motor,
emocional, cognitivo, e social. Atividade lúdica é toda e qualquer animação que
tem como intenção causar prazer e entretenimento a quem pratica. São lúdicas as
atividades que propiciam a experiência completa do momento, associando o ato, o
pensamento e o sentimento. A criança se expressa, assimila conhecimentos e
constrói a sua realidade quanto está praticando alguma atividade lúdica. Ela
também espelha a sua experiência, modificando a realidade de acordo com seus
gostos e interesses.Na educação Infantil podemos comprovar a influência positiva
das atividades lúdicas em um ambiente aconchegante, desafiador, rico em
oportunidades e experiências para o crescimento sadio das crianças. Os primeiros
anos de vida são decisivos na formação da criança, pois se trata de um período
em que a criança está construindo sua identidade e grande parte de sua estrutura
física, socioafetiva e intelectual. É, sobretudo, nesta fase que se deve adotar
várias estratégias, entre elas as atividades lúdicas, que são capazes de
intervir positivamente no desenvolvimento da criança, suprindo suas necessidades
biopsicossociais, assegurando-lhe condições adequadas para desenvolver suas
competências. Todas as instituições que atendem crianças de 0 a 5 anos, deve
promover o seu desenvolvimento integral, ampliando suas experiências e
conhecimentos, de forma a estimular o interesse pela dinâmica da vida social e
contribuir para que sua integração e convivência na sociedade sejam produtivas e
marcadas pelos valores de solidariedade, liberdade, cooperação e respeito. As 
intuições infantis precisam ser acolhedoras, atraentes, estimuladoras,
acessíveis ás crianças e ainda oferecer condições de atendimento ás famílias,
possibilitando a realização de ações sócioeducativas.

As crianças necessitam receber nas instituições de
educação infantil:

Ações sistemáticas e continuadas que visam a fornecer
informações;

Realizar vivências através de atividades lúdicas;

Aprimorar conhecimentos.

São vários os benefícios das atividades lúdicas, entre
eles estão:

Assimilação de valores;

Aquisição de comportamentos;

Desenvolvimento de diversas áreas do conhecimento

Aprimoramento de habilidades;

Socialização.

Quanto ao tipo de atividades lúdicas existentes, são
muitas, podemos citar:

Desenhar;

Brincadeiras;

Jogos;

Danças;

Construir coletivamente;

Leituras;

Softwares educativos;

Passeios;

Dramatizações;

Cantos;

Teatro de fantoches, etc.

As atividades lúdicas podem ser uma brincadeira, um
jogo ou qualquer outra atividade que permita tentar uma situação de interação.
Porém, mais importante do que o tipo de atividade lúdica é a forma como é
dirigida e como é vivenciada, e o porquê de estar sendo realizada.Toda criança
que participa de atividades lúdicas, adquire novos conhecimentos e desenvolve
habilidades de forma natural e agradável, que gera um forte interesse em
aprender e garante o prazer.Na educação infantil, por meio das atividades
lúdicas a criança brinca, joga e se diverte. Ela também age, sente, pensa,
aprende e se desenvolve. As atividades lúdicas podem ser consideradas, tarefas
do dia-a-dia na educação infantil.De acordo com Teixeira (1995), vários são os
motivo que induzi os educadores a apelar às atividades lúdicas e utilizá-las
como um recurso pedagógico no processo de ensino-aprendizagem. Segundo Schwartz
(2002), a criança é automotivada para qualquer prática, principalmente a lúdica,
sendo que tendem a notar a importância de atividades para o seu desenvolvimento,
assim sendo, favorece a procura pelo retorno e pela manutenção de determinadas
atividades. Huizinga (1996), diz que numa atividade lúdica, existe algo “em
jogo” que transcende as necessidades imediatas da vida e confere um sentido à
ação.

Para Schaefer (1994), as atividades lúdicas promovem ou
restabelecem o bem estar psicológico da criança. No contexto de desenvolvimento
social da criança é parte do repertório infantil e integra dimensões da
interação humana necessária na análise psicológica (regras, cadeias
comportamentais, simulações ou faz-de-conta aprendizagem observacional e
modelagem).Toda a atividade lúdica pode ser aplicada em diversas faixas etárias,
mas pode sofrer intervenção em sua metodologia de aplicação, na organização e no
prover de suas estratégias, de acordo com as necessidades peculiares das faixas
etárias. As atividades lúdicas têm capacidade sobre a criança de gerar
desenvolvimento de várias habilidades, proporcionando a criança divertimento,
prazer, convívio profícuo, estímulo intelectivo, desenvolvimento harmonioso,
autocontrole, e auto-realização. O educador deverá propiciar a exploração da
curiosidade infantil, incentivando o desenvolvimento da criatividade, das
diferentes formas de linguagem, do senso crítico e de progressiva autonomia.
Como também ser ativo quanto às crianças, criativo e interessado em ajudá-las a
crescerem e serem felizes, fazendo das atividades lúdicas na educação Infantil
excelentes instrumentos facilitadores do ensino-aprendizagem.As atividades
lúdicas, juntamente com a boa pretensão dos educadores, são caminhos que
contribuem para o bem-estar, entretenimento das crianças, garantindo-lhes uma
agradável estadia na creche ou escola. Certamente, a experiência dos educadores,
além de somar-se ao que estou propondo, irá contribuir para maior alcance de
objetivos em seu plano educativo.








Angela Cristina Munhoz Maluf






Referências:


HUIZINGA, J. Homo Ludens. 4. ed. São Paulo:
Perspectiva, 1996.


MALUF, Ângela Cristina Munhoz - Brincar Prazer e
Aprendizado. Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes 2003.


_______Conheça Bem, eduque melhor- Crianças e
Jovens.Petrópolis, Rio de Janeiro, Vozes 2006


NEGRINE, Airton da Silva. A Coordenação Psicomotora e
suas Implicações. Porto Alegre. 1987.


PAPALIA, D. E., OLDS, S. W., O Mundo da Criança, Ed.
McGraw-Hill, São Paulo, 1981.


PIAGET, Jean. A Construção do Real na Criança. Trad.
Álvaro Cabral. Rio de Janeiro: Zahar, 1970.


________ O nascimento da Inteligência na criança.
Suíça. Editora Guanabara, 1987.


SCHAEFER (1994) -Play therapy for psychic trauma in
children. Em K.J. O´Connor & C.E. Schaefer Handbook of Play Therapy.
Advances and Innovations. New York: Wiley


SCHWARTZ, G. M. Emoção, aventura e risco - a dinâmica
metafórica dos novos estilos. In: BURGOS, M. S.; PINTO, L. M. S. M. (Org.) Lazer
e estilo de vida. Santa Cruz do Sul: EDUNISC, 2002, p. 139-168.


TEIXEIRA, Carlos E. J. A ludicidade na escola. São
Paulo: Loyola, 1995.


Leia mais: http://educacaoatravesdaarte.blogspot.com/#ixzz1HlbtJABf